24/05/2015


 
NOME AOS DOIS 

 

viver
já é elementar meu caro
tão pueril como a poeira
pregada nos templos
efêmera não, a faca que mata
a vida já sem elementos
torna-se nenhuma coisa sem nome
mas a faca que vive dá nome aos dois:
quem mata e a vida de quem morre.

10/05/2015

POR ONDE ANDA G. VIEIRA?


POEMA DE SÉRGIO LIMA SILVA
 
 
será que a palavra o abandonou
e o deixou no meio do deserto
da pele de algum desconhecido perto?
será que a cicatriz da sua boca fechou
e não há como sangrar sua fala?
será que o seu corpo assumiu a forma
que não se pode dizer nesse momento
e se transformou em pensamento?
será que as praias o tornaram parte
ao ministrar aulas de ondas
entre as suas pregas?
será que a dor abriu e o engoliu
como se a dor sentisse mais fome
do que o próprio nome?
será que se tornou uma esfera
e está rolando como rolam as perdas?
Será que anda utilizando outras ancas?
Será que é eterno e o olhar de perto
De quem é efêmero não o enxerga?

 

 

NUMAS E NOUTRAS


(Em louvor ao poema de Sérgio L. Silva)
 

Eis que ando numas e noutras ondas
Como já não se diz nem se faz
Não como coisa qualquer a boiar:
Um excremento, por exemplo.
Esquiando sem braços e pernas, sem asas
Pelo aqui das gentes e por aí do mundo
Arquejando como peixe fora das palavras
E do que se espera como certo
Meio eu meio outro a prumo torto mesmo
Nas praias da vida porque é no mar minha ida
E vinda desse lugar sem rumo e sem chegar
Perambulando pelo vago quando cheio
O copo das águas desse abril sem brio
Nem portas que me abram às novas lidas
Vou mais que venho e se acaso me acham
Talvez seja eu mais uma onda que se espraia
Antes que noutra onda me contraia