04/07/2015

SER ME AGASTA


ser me gasta
seu cheiro, sua pele rugosa
sua beleza rigorosa
cravada na alma, sem rosto
ser sempre agrava
a mesma crueza colada ao corpo
seu jeito calado a tocar uma música
sem notas feita de mudez e retórica
no mesmo escuro aberto pela eternidade
onde o tempo prostrou-se em deidade
ser me agasta
sua envergadura de pó e circunstâncias
pesa como a gordura de um buda
é uma agonia que se desnuda
nessa condição mesma, desgasta.
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