31/08/2015

MUDEZ NECESSÁRIA


não falo de amor
meu silêncio
me reprime 

por isso mudo
amo
sem nada dizer
ao silêncio

26/08/2015

COLOSSO


lava agora teu osso
da alma até o pescoço                               
que o amor é horto
de um desejo cardo
lava teu osso e te depura
a carne ainda  é caça
de um prazer hirto
na fera que preparas
lava teu osso como fosses
água rasa e calabouço
e te escorre flácida
pelas coxas frias da vida
lava teu osso que resta
ao colosso dessa festa
logo teu mundo passa
nada fica nem te retrata

22/08/2015

MAIS OS MENOS


nada sempre mais
grave alegre e acre
tudo mais os menos
repetem o massacre 

nada sempre mais
real que nossos ossos
tudo mais os menos
no amor e nos bolsos 

nada sempre mais
na paz que se revolta
tudo mais os menos
contam a vida em gotas 

tudo ao menos mais
nada mais somenos
o poder dos mais
o querer dos menos

18/08/2015

POEMASSOMBROSO


minha sombra
há de passar
a pé de per si
descalça perto daqui
a cantar como sabiá
pra se ouvir
o que não se sabe
há de passear
pelas sombras
das palmeiras
que já não há
sem fazer barulho
esguia e maquiada
cheia de orgulho
como se estivesse
mal-assombrada
minha sombra
livre do meu corpo
a me levar ao topo
mais alto da vida
e de lá me lançar
num trato sem troco
cansada de ser tudo
e mais um pouco
disso que me sombra

12/08/2015

ÚLTIMO DESEJO



realizar  todos os desejos
é o meu último desejo 

mesmo que ao pão da vida
às vezes falte o queijo

01/08/2015

A BALA E A LANÇA


não sei mais entristecer
a alegria é um soco
na balança do mundo:
um leão ou uma pessoa,
tantos fazem próprias suas leis;
engulo os ângulos e as retas
de um modo de ver a bala
e a lança do mundo;
não sei mais entristecer
a alegria tem outro cheiro
de leão e pessoas
que cheiram mal a felicidade
na balança do mundo