07/09/2015

AUTOFAGIA


 
sinto mais o peso de mim
fardo de espírito e corpo
com que me alimento;
bebo-me aos poucos
apreciando meu gosto
(o amargo doce ser)
que só ao ébrio dá prazer;
mastigo-me sóbrio e lento
sendo tudo que se come,
minhas partes postas sem nome
cru, sem molho, sem odores
distingo melhor meus sabores
satisfaço a fome de mim;
de sobremesa saboreio a alma
faço a digestão em calma,
me tenho plenamente meu,
para jantar, guardo o eu.
Postar um comentário