21/12/2015

DEBRUM


não me penso mundo
nem vastidão de carne e osso
(pássaros fazem do instante
a brevidade necessária à vida)
me penso planície e fosso
guardo um não ao que posso
de qualquer fundura ser;
se árvores sorrissem,
eu seria chuva?
quantas peles na palavra,
na vida, meu cioso debrum
esse bordar para nada e nenhum

 

DIA FINDO


uma lua fina
deita-se sobre as dez toneladas
do dia
a rua dorme seu leão enorme 

silêncio!
- hospital do mundo

03/12/2015

ESCÁRNIO


gosto quando me mordes
sob os acordes do meu escárnio
e porque também és carne
contrario a tua ordem
de me quereres a priori
retalho-te em meus desejos
cego o amor que não vejo 

gozo com tua mandíbula
buliçosa de palavras e fúrias
e porque também és fera
em círculos teu cheiro me apodera
de júbilos e nesse escárnio
me festejas num escarro

PELAS BORDAS, A VIDA



ainda não morro, a vida
comida pelas bordas
dá gosto ao sal da angústia
o dia preso às cordas
sustém a matilha do susto
de virar lama dessa armadilha
se já não corro, a vida
ocorre com tudo aos poucos
do muito que resta ao nada
de existir a ferro até o oco