23/01/2016

07/01/2016

EU DIFUSO



o tempo seus dedos e fusos
faz sabedor um eu difuso
de todas as certezas a mais crua
comida nas fartas fomes da vida
que o ser medroso regurgita
para não saber o sabor da desdita

EU RECLUSO



nos ferros-velhos da vida
guarda-se um eu recluso
ignorado e todo retorcido
a se negar o que deveria ter sido
mais que pedra um escaravelho
prenda do ser que o fez de relho

EU CONCLUSO



uma alma cheia de furos
espera lá fora um eu concluso
faltando todos os parafusos
remendos e quinquilharias
que o ser vaidoso parodia
da vida inservível para uso