17/08/2017

AO MODO SUBJUNTIVO


sinto-me ao modo subjuntivo
como se tivesse adormecido
entre sonhos imponderáveis
sem motivos pra um sujeito crível
já que mora em mim um eu adjeto
de verbos, carne e outros apetrechos
que me asseveram no modo indicativo
como uma nuvem ou sombra aparente
me fizessem mais substantivo
a me esconder do imperfeito
de só existir ao modo imperativo

VASTO


entre os suspiros do quarto
a noite se deita ao meu lado
nada em mim é mais vasto
nem ausências me completam
limpo de recatos, lava-me o tempo
ergo horrores ao punhal do absoluto
quem sabe os fôlegos da manhã
me acordem novamente servil
dos gestos repassados e perecíveis
agora vasto, a solidão tão certa de mim

06/08/2017

MARGINAL


à margem converso em silêncio
com os que estranham o mundo
e pergunto de que branco é a paz?
de que lado o nome dói mais?
se elemento, indivíduo ou meliante
à margem há um mar aguardando
em silêncio que outra onda cresça
para aguar os ouvidos do mundo
da melodia que se ouve à margem
dos que assentam trilhos na aragem

29/07/2017

INSULAR


pessoas cercadas de mundo
por todos os lados
e cada um só um;
conforme os tolos dados
somos muitos em cada um
sob o mesmo sol
que se opõe a quem só
isola seu mundo de todos
os fardos que a vida entrega
ao largo do mundo
que só cada um refrega

17/07/2017

COMA


como se fosse a fome
o único jeito de saciar a vida
e a realidade um corpo sem tripas
no dia que nunca amanheceu
como se fosse qualquer coisa
pessoas e sonhos na lama do existir
a invisível serpente da mentira
travestida de pronta esperança
como se fosse  ainda um coração
a bater por nada na cara de ninguém
e cada um a ver seu próprio cadáver
passear domingo na avenida Paulista


POENOSSO DE CADA DIA nº105


uma vida pra viver
uma morte pra morrer

só isso?

ah tenho outro
compromisso!