10/06/2017

ESPERANDO NUM PORTO



te esperam ainda num porto em brumas
o crime que não cometeste
o lado indomado de tua alma
o beijo recusado, a perfídia dos gestos
palavras impronunciáveis te esperam
as mãos trêmulas nas ancas da vida
a denunciarem o sangue dos teus mortos
o que não cumpriste e o que deste em vão
as angústias espalhadas no tempo e o amor
no invólucro das coisas sem nexo
te esperam em algum lugar sem nome, sem espaço
o prazer adiado, a véspera das alegrias
acauteladas, todo remorso movente
por dentro da crueldade de te quereres pó
te esperam num porto invisível ainda as emoções
um jarro com flores, uma taça de vinho sobre a mesa
a mesma cama que suporta teu corpo banido de outro
teus pavores com a sandice urbana te esperam
em pé em alguma esquina da rua onde teus pés já não alcançam   
tudo o que te falta, o que  perdeste, as sobras
nos teus ombros em sonhos ainda te esperam
tudo o que deixaste de fazer, teu ser tantas vezes
rascunhado nas noites de vazios e cinza, teus segredos dobrados
num papel que o vento os desprezou pelos cantos da casa
tuas máscaras jogadas no lixo do mundo
tudo nos espera com a alma que desespera
num porto onde a vida sempre atraca para o entrevero
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