10/06/2017

TRANSPIRAÇÃO


não encontro os dedos das ideias
suponho que se vai pelo ralo do dia
algo de confuso a boiar como estrume
ainda fresco, decerto: verso sem lume
nesse escuro escarro toda possível emoção
desaperto mais o nó do peito até nascer
uma flor onde antes havia espanto
eis que se me despe a primeira palavra
tão rápida e rija como uma pedra
na janela duvidosa da utopia
transpiro bastante para chegar
ao controverso território da poesia
mas solene com a alegria e a dor
de quem rasga em si mesmo um pouco
daquilo que nunca se sabe a pele nem a cor
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